Será que você tem energia de songamonga? Descubra o que isso revela sobre sua identidade
- deboramsterapeuta

- 4 de jul.
- 8 min de leitura

Se você usa redes sociais com alguma frequência, provavelmente já ouviu alguém dizer que determinada pessoa tem "energia de songamonga".
A expressão costuma aparecer em vídeos bem-humorados, memes e comentários para descrever alguém que parece aceitar tudo, evita conflitos, nunca se posiciona e vive como se tivesse medo de ocupar espaço.
Talvez você já tenha rido disso.
Talvez até tenha brincado com uma amiga dizendo: "Nossa, você foi muito songamonga agora."
Mas quero propor uma reflexão diferente.
E se essa expressão, apesar do tom descontraído, estiver descrevendo um comportamento que merece ser levado a sério?
Ao longo dos últimos anos, percebi que muitas mulheres chegam até mim dizendo que se sentem travadas. Elas não conseguem explicar exatamente o motivo, apenas sabem que existe uma distância enorme entre a vida que gostariam de viver e aquela que realmente vivem.
Curiosamente, elas costumam ser mulheres inteligentes, responsáveis, carinhosas e extremamente competentes. São profissionais admiradas, amigas presentes e pessoas em quem todos confiam.
No entanto, quando o assunto é a própria vida, parece que toda essa força desaparece.
Elas têm dificuldade para dizer o que pensam.
Sentem culpa quando colocam limites.
Pedem desculpas antes mesmo de saber se fizeram algo errado.
Aceitam muito menos do que realmente desejam.
Esperam sempre mais um pouco antes de tomar uma decisão importante.
Vivem como se ocupar espaço fosse um privilégio que ainda precisassem conquistar.
É justamente esse comportamento que eu gosto de chamar, de forma bem-humorada, de energia de songamonga.
Não porque eu acredite que alguém seja, de fato, uma songamonga.
Mas porque essa expressão consegue resumir algo que vejo com muita frequência: mulheres que aprenderam, ao longo da vida, a diminuir a própria presença.
E é aqui que este artigo realmente começa.
Porque, na minha experiência, o problema nunca foi a personalidade dessas mulheres.
O problema é a identidade que elas aprenderam a ocupar.
Energia de songamonga não é personalidade. É posicionamento.
Existe uma diferença importante entre ser uma pessoa calma e viver constantemente se diminuindo.
Há mulheres naturalmente mais reservadas. Outras preferem ouvir antes de falar. Algumas gostam de ambientes tranquilos e evitam conflitos desnecessários. Nada disso representa um problema.
A energia de songamonga é outra coisa.
Ela aparece quando você deixa de expressar suas necessidades para evitar desagradar alguém.
Quando diz "tanto faz" mesmo sabendo exatamente o que gostaria.
Quando aceita situações que machucam porque acredita que reclamar seria exagero.
Quando passa tanto tempo tentando ser compreensiva que, sem perceber, deixa de compreender a si mesma.
É uma forma de existir sempre um pouco menor do que realmente se é.
E isso costuma acontecer de maneira tão gradual que muitas mulheres nem percebem quando começaram a viver assim.
Elas apenas sentem que, em algum momento da vida, passaram a se acostumar com pouco.
Pouca reciprocidade.
Pouco reconhecimento.
Pouco espaço.
Pouca coragem para se colocar.
Pouca confiança para acreditar que também podem ser prioridade.
O mais curioso é que, muitas vezes, isso não acontece porque falta capacidade.
Pelo contrário.
Grande parte dessas mulheres demonstra uma força enorme quando cuida dos outros.
Resolve problemas.
Entrega resultados.
Assume responsabilidades.
Mas encontra enorme dificuldade quando precisa defender as próprias necessidades.
É como se existissem duas versões da mesma pessoa.
Uma extremamente competente para cuidar da vida alheia.
Outra insegura quando chega a hora de cuidar da própria.
Talvez você não tenha um problema de autoestima
Durante muito tempo, qualquer comportamento parecido com esse era rapidamente associado à baixa autoestima.
Embora autoestima faça parte dessa conversa, acredito que essa explicação, sozinha, seja pequena demais.
Porque conheço mulheres que confiam plenamente na própria inteligência, na capacidade profissional e no conhecimento que possuem.
Mesmo assim, continuam aceitando relacionamentos confusos.
Continuam adiando sonhos importantes.
Continuam esperando autorização para ocupar espaços que já poderiam ser delas.
Isso acontece porque autoestima e identidade emocional não são exatamente a mesma coisa.
A autoestima responde à pergunta:
"Como eu me avalio?"
A identidade responde a uma pergunta muito mais profunda:
"Quem eu acredito que posso ser?"
Essa diferença muda completamente a conversa.
Porque você pode acreditar que é inteligente e, ao mesmo tempo, não acreditar que merece ser escolhida.
Pode saber que trabalha bem e, ainda assim, sentir vergonha de cobrar um valor justo.
Pode ser uma excelente profissional e continuar acreditando que precisa provar seu valor o tempo inteiro.
Percebe como isso vai muito além da autoestima?
Estamos falando da identidade que organiza a forma como você ocupa o mundo.
E essa identidade influencia muito mais áreas da vida do que imaginamos.
A energia de songamonga aparece muito antes dos relacionamentos
É comum que esse padrão seja percebido primeiro na vida amorosa.
Afinal, é nesse lugar que ele costuma gerar mais sofrimento.
Mas basta observar com um pouco mais de atenção para perceber que ele está presente muito antes do primeiro encontro.
Ele aparece na estudante que nunca levanta a mão para fazer uma pergunta porque tem medo de parecer incapaz.
Na profissional que sabe exatamente a resposta durante uma reunião, mas prefere permanecer em silêncio para não chamar atenção.
Na empreendedora que adia o lançamento do próprio projeto porque acredita que ainda não está pronta.
Na mulher que sonha em mudar de cidade, iniciar uma nova carreira ou criar conteúdo nas redes sociais, mas passa anos esperando sentir uma segurança que nunca chega.
Em todas essas situações existe algo em comum.
Não é falta de talento.
Não é falta de oportunidade.
Também não é falta de inteligência.
Existe apenas uma identidade que aprendeu a ocupar pouco espaço.
E enquanto essa identidade permanecer a mesma, a tendência é que a vida continue compatível com ela.
Porque nossas escolhas costumam acompanhar a pessoa que acreditamos ser.
O verdadeiro problema é viver abaixo do próprio tamanho
Existe uma frase que resume grande parte do que observo no consultório:
Você não nasceu para viver abaixo do próprio tamanho.
Talvez essa seja a consequência mais dolorosa da energia de songamonga.
Ela faz com que você passe a acreditar que precisa ocupar sempre um lugar menor do que realmente poderia.
Menor do que seus talentos.
Menor do que seus sonhos.
Menor do que sua capacidade.
Menor do que seu potencial.
Você deixa de pedir aumento porque acha que ainda não merece.
Não publica aquele projeto porque acredita que ainda falta alguma coisa.
Não se posiciona porque imagina que as pessoas vão julgá-la.
Aceita migalhas porque tem medo de não encontrar algo melhor.
Espera meses — às vezes anos — para dizer aquilo que gostaria de ter dito desde o início.
Aos poucos, isso deixa de parecer uma escolha e passa a parecer quem você é.
É justamente aí que mora o perigo.
Porque, quando um comportamento se transforma em identidade, ele passa a organizar toda a sua vida.
Você já não pensa "estou agindo assim".
Você pensa:
"Eu sou assim."
E tudo aquilo que acreditamos ser tende a ser confirmado pelas nossas escolhas diárias.
A identidade sempre vence a motivação
É por isso que tantas mudanças duram tão pouco.
Você se motiva.
Assiste vídeos.
Lê livros.
Promete que, desta vez, vai se posicionar mais.
Vai colocar limites.
Vai parar de aceitar menos do que merece.
Durante alguns dias, realmente consegue agir de forma diferente.
Mas, depois de um tempo, tudo parece voltar ao normal.
Não porque você seja fraca.
Nem porque lhe falte disciplina.
Mas porque a identidade costuma ser mais forte do que a motivação.
Enquanto você continuar acreditando, ainda que inconscientemente, que precisa pedir licença para existir, qualquer tentativa de ocupar mais espaço vai parecer estranha.
É como usar uma roupa que não parece sua.
No começo, ela incomoda.
Depois, você acaba voltando para aquilo que sempre vestiu.
É exatamente por isso que eu gosto de falar em expansão de identidade.
Porque não basta mudar o comportamento.
É preciso ampliar a forma como você se percebe e o lugar que acredita poder ocupar na própria vida.
Quando isso acontece, os comportamentos deixam de exigir tanto esforço.
Eles passam a ser consequência de uma identidade diferente.
Como sair da energia de songamonga?
Muitas pessoas esperam encontrar aqui uma lista de passos rápidos.
Mas acredito que essa transformação começa de outro jeito.
Ela começa quando você para de perguntar:
"Como faço para parecer mais confiante?"
E passa a perguntar:
"Por que ainda acredito que preciso ocupar tão pouco espaço?"
Essa mudança de pergunta transforma completamente o processo.
Porque deixa de tratar apenas o comportamento e começa a investigar a raiz.
Em vez de tentar parecer mais segura, você começa a compreender por que aprendeu a esconder a própria voz.
Em vez de apenas repetir frases de autoestima, passa a observar quais experiências ensinaram você a acreditar que precisava ser menor para ser aceita.
Em vez de tentar convencer o mundo do seu valor, começa a reconstruir a forma como você mesma se enxerga.
É por isso que acredito que expandir a identidade é muito mais poderoso do que simplesmente tentar mudar hábitos.
Quando a identidade muda, os hábitos encontram um terreno completamente diferente para crescer.
Uma vida maior começa dentro
Talvez você tenha chegado até este artigo porque a expressão "energia de songamonga" chamou sua atenção.
Talvez tenha vindo pela curiosidade.
Talvez pela brincadeira.
Mas espero que, ao chegar até aqui, tenha percebido que o assunto nunca foi apenas essa expressão.
Foi sobre algo muito mais importante.
Sobre a forma como você tem ocupado a própria vida.
Você pode continuar tentando mudar apenas os comportamentos.
Ou pode escolher olhar para aquilo que organiza todos eles.
Porque, quando sua identidade permanece pequena, até as maiores oportunidades parecem grandes demais.
Mas quando sua identidade se expande, você começa a agir de maneira compatível com a vida que deseja construir.
É por isso que digo que a expansão de identidade não muda apenas relacionamentos.
Ela muda a forma como você trabalha.
Como ama.
Como se posiciona.
Como cria.
Como sonha.
Como ocupa o mundo.
Como posso ajudar você
Se, ao longo da leitura, você percebeu que esse padrão aparece em diferentes áreas da sua vida, talvez seja o momento de compreender com mais clareza qual identidade está organizando sua realidade hoje.
Foi justamente para isso que desenvolvi a Análise de Manifestação.
Durante esse processo, investigamos os padrões emocionais e a identidade que influenciam aquilo que você tem manifestado nos relacionamentos, na autoestima, na carreira, no merecimento e nas escolhas que faz diariamente.
Mais do que entender o que está acontecendo, o objetivo é identificar o que precisa ser transformado para que você possa construir uma vida compatível com quem realmente deseja se tornar.
Perguntas frequentes
O que significa ter energia de songamonga?
É uma expressão popular que utilizo para descrever um padrão de comportamento marcado pela dificuldade de ocupar espaço, estabelecer limites, expressar necessidades e reconhecer o próprio valor. Não se trata de um diagnóstico, mas de uma forma leve de falar sobre uma identidade que aprendeu a viver menor do que poderia.
Energia de songamonga é o mesmo que baixa autoestima?
Não necessariamente. Embora a baixa autoestima possa estar presente, a energia de songamonga está mais relacionada à identidade emocional e à forma como a pessoa acredita que pode ocupar espaço na própria vida.
É possível mudar esse padrão?
Sim. Quando você identifica os padrões emocionais que sustentam esse comportamento e começa a expandir sua identidade, novas formas de agir deixam de parecer artificiais e passam a acontecer de maneira mais natural.
Conclusão
Talvez a maior mentira que você tenha acreditado até hoje seja a de que nasceu para ocupar pouco espaço.
Talvez tenha aprendido, ao longo da vida, que era mais seguro não incomodar, não pedir, não cobrar, não aparecer e não sonhar alto demais.
Mas nada disso faz parte da sua essência.
Faz parte da identidade que você construiu para sobreviver.
E aquilo que foi aprendido também pode ser transformado.
Você não nasceu para viver abaixo do próprio tamanho.
Não nasceu para aceitar migalhas.
Não nasceu para pedir licença para existir.
E toda vida maior começa quando uma identidade menor deixa de comandar suas escolhas.
💚 Um convite à reflexão
Antes de fechar esta página, quero deixar uma pergunta para você:
Se ninguém julgasse suas escolhas, se você não tivesse medo de decepcionar ninguém e se realmente acreditasse que merece ocupar o seu lugar, o que começaria a fazer ainda esta semana?
Talvez essa resposta revele muito mais sobre a identidade que deseja construir do que sobre a pessoa que você acredita ser hoje.




Comentários